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Apedeutas online

jqmcuqA internet deu voz a muitas pessoas, passamos os dias, as horas dentro de um ambiente virtual/real. O Facebook e o twitter mudaram muito o conceito das redes sociais e acabaram moldando o perfil de seus usuários. Aqueles acostumados com o twitter desde 2008 – 2009, assim como eu, tivemos o prazer de vivenciar uma rede inteligente, com um fluxo enorme de informações. Antes disso, transitávamos no Orkut, pelas comunidades -em sua grande maioria inútil, mas algumas bem proveitosas, cujas amizades perduram até hoje. Logo, o facebook encorporou a plataforma de “timeline” – linha do tempo, o que também permitiu que houvesse maior interatividade dos contatos, mas acima de tudo, a dinâmica do facebook permite que as informações sejam transmitidas, como nos perfis de jornais, canais de TV, bem como toda a sorte de pessoas que têm muito a dizer, a nos informar. Há também o outro lado dessa moeda.

A verdade é que o fluxo de informações, e a liberdade em cada timeline fez brotar uma série de comentadores de redes sociais. De repente todo mundo passou a “entender” de tudo, a achar que sabe falar sobre tudo. Ontem mesmo eu assisti um vídeo em que um repórter perguntava ao Rodrigo Amarante (da banda Los Hermanos) se a música “Anna Julia”, a banda ser lembrada por essa música incomodava a banda e o Rodrigo então deu uma resposta exemplar ao rapaz. O vídeo pode ser conferido aqui. Ter muito acesso à informação não é o mesmo que fazer o uso dela, ou não fazer o uso correto dela, vejo muita desonestidade intelectual proliferando em fã pages, principalmente em época eleitoral.

Estamos, na verdade, vivenciando uma época bastante preocupante nesse mundo cibernético, onde cada um fala o que quiser, ofende, desgasta, discute, copia, cola, emenda, remenda, inventa. Claro que aquele que se sentir lesado tem uma boa arma nas mãos, que funciona às vezes, noutras só fazem piorar. Eu fico realmente preocupado com esse tipo de pessoa e com as coisas que vejo falarem porque, de certa forma, essas pessoas acabam influenciando as pessoas ao redor, algumas ainda conseguem usar o discernimento sobre o que presta ou não, e acabam filtrando o fluxo. Outras replicam o equívoco como verdade absoluta culminando em uma enorme privada virtual, pequenos imbecis refocilando sua ignorância. Esses apedeutas são um perigo, quando não são tão ridículos.

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Sonhos estranhos

aviao-quedo-acidente-desastreHá um ano vim morar próximo ao aeroporto de Juiz de Fora, é um aeroporto de pequeno/médio porte, mas tem barulho potente. Demorei um pouco a me acostumar com o zumbido das turbinas, mas me lembro que no início, tinha sonhos terríveis com os aviões. Sonhava que eles entravam pela janela do meu quarto, inúmeras vezes sonhei com corpos caindo em cima da minha casa, e mais frequentemente, que o mundo acabava e que a única saída, era com aqueles aviões, ouvia os motores ligados, suas turbinas zunindo, mas no delírio onírico, as portas abertas e o piloto nos esperando, era um terror, porque eu e minha esposa nunca chegávamos no avião, por mais que corrêssemos, o vento não nos deixava lograr êxito na empreitada.

Por algum tempo este sonho me perturbou, mas claro, nenhum avião sequer chegou engasgar aqui acima dos meus telhados, e eu ficava buscando significado para tanto desastre inconsciente. Lendo Freud, “a interpretação dos sonhos”, vi que o mais importante dos sonhos, era a forma como contamos aquilo que sonhamos e como lidamos com detalhes despercebidos, então passei a escrever meus sonhos com o máximo de detalhes que eu conseguir, muitas vezes, logo assim que acordo. A atividade tem me ensinado bastante. Sonhar que um avião está caindo, destruindo a sua casa, não significa quase nada na sua vida prática, exceto quando você começa a analisar as suas coisas, como você lida com as situações que compõem sua rotina.

Os aviões foram apenas um plano de fundo para todas as frustrações que eu estava enfrentando, mas poderia ser outro objeto, outra personificação dos seus problemas, por trás da figura do avião, havia a chateação real de se morar próximo a um lugar tão incômodo, com barulhos horríveis e uma poluição sem igual. Dar atenção ao que nós sonhamos, pode servir de algum alerta, longe de todo exoterismo ou mito, fantasia sobre sorte/azar, mas algo que você acumula no inconsciente como uma memória RAM, com a diferença de que ela não se apaga quando desligamos (dormimos), elas fermentam e compõem nossos sonhos. Uma forma de consertar o que está errado, e aprimorar o que precisa de retoque.

 

Os aviões nunca mais caíram em mim.

 

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Sustenidos Resistentes

Sustenido é um acidente, seu sinal # é posto à esquerda da nota musical, indicando que a altura da nota deve ser elevada a um semitom. (se estou dizendo alguma besteira, culpe ao wikipedia, não a mim).

Baseado nessa definição, talvez a [re] abertura deste blog seja um erro, mas como eu nunca fui alguém que só busca acertos, minha teimosia e um pouco de vaidade,  é bem verdade, me fizeram voltar. Na verdade, pouco acredito em acidentes, porque acidentes não são meras fatalidades, eles são provenientes de algum erro, frutos de imprudência, imperícia ou negligência, se houve algum acidente no meio desse percurso, ele foi meu, causa de erros meus e hoje não me importam mais os motivos.

Voltar após dois anos de liberdade offline é estranho e instigante. A vida da gente muda muito em dois anos e esse foi um período de muitas transições na minha, algumas coisas mudaram bastante, outras continuam intactas como pedra, “um marco do percurso” – como li num livro outro dia, e é bom que as coisas estejam dessa forma, de outra sorte, não teria o menor sentido voltar.

Voltar não significa martelar antigos erros, não sou agente do passado e não pretendo explicações, reparações ou consertar alguma coisa. Longe disso. Tenho novos erros para cometer, pecador nato, não me escondo nunca. Voltar aqui significa uma nova fase a mostrar, e isso não é uma “nova fase”, nem uma temporada nova de uma série que a gente está acostumado a acompanhar – tenho séries suficientes para viciar.

Voltar é essa necessidade de escrever, expressar, é bem verdade que eu não preciso publicar nada disso, como ouvi e concordei ao longo desses dois anos, porque nesse período eu escrevi, reescrevi boa parte das minhas coisas, textos esquecidos, contos sem terminar, músicas ouvidas que inspiraram novas crônicas, pensamentos, resenha de livros, filmes que gostei e teci alguns comentários. Tudo isso me compôs nesses dois anos e tudo isso fizeram enorme diferença entre voltar e deixar como está. Teimoso, voltei.

Avante.

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